quarta-feira, 10 de julho de 2013

O Ser Humano Frente as Crises

Muitos devem conhecer um pequeno conto sobre um pai e filho que viajavam de trem, em um percurso que duraria aproximadamente uma hora.
O pai se acomoda no assento, dispondo a ler uma revista para se distrair e a criança o interrompe perguntando-lhe:
- O que é isso, papai?
O homem se volta para ver o que o filho assinalava pela janela e responde:
- É uma granja, meu filho.
Ao retomar sua leitura, outra vez lhe pergunta a criança:
- Já vamos chegar?
E o homem responde que ainda faltava muito.
Retorna a sua leitura. Mal havia lido o primeiro parágrafo de sua revista quando o pequeno lhe faz outra pergunta e, após esta, outras mais.

terça-feira, 2 de julho de 2013

A Geração que Pôs o Homem na Lua...

...perdeu o Homem na Terra

O homem difere-se dos demais seres da Natureza por sua Razão, a sua inteligência, que lhe permite ir além, que lhe permite compreender o universo e perceber o Divino.

E  a Razão coloca o homem como esse único ser, capaz de perceber e conhecer a si mesmo, esse ser capaz de se tornar melhor a cada dia, através da prática das virtudes.

Ter ido à Lua é algo fantástico. Poder ver através de imagens todo o universo e descobrir que o planeta que habitamos mede milhões de km quadrados e que a distância entre a Terra e a Lua é de milhões de Km também é uma descoberta extraordinária....

Mas o que aprendemos com isso? O que podemos mudar em nossas vidas sabendo que a Terra, essa que mede milhões de Km, na verdade é um grão de areia, quase que insignificante diante da dimensão de todo o universo?

Ao observar tudo isso, com essa visão que a tecnologia nos permite, ao menos a uma conclusão imediata podemos chegar: tudo isso tem uma ordem, tudo isso tem uma Lei!

A terra gira em torno do Sol e em torno de si mesmo; isso nos “garante” o dia e a noite, a primavera, o inverno, outono e o verão.... Isso nos garante momentos de ação e de descanso, momentos de plantar e de colher...

Podemos perceber as plantas, os rios, o mar, a terra... todos eles, cada um deles, com suas funções...

Tudo na natureza tem sua função.
E o Homem, é bom lembrar, faz parte da Natureza!
Não somos é um ser isolado ao qual coube usufruir de toda essa beleza....
Coube  a nós a tarefa de construir a nós mesmos.

Deus nos fez à sua imagem e semelhança, mas nos deu o livre arbítrio, e, com ele, podemos buscar ser reis entre os homens, ou ser divinos, a exemplo do próprio Deus.

Platão dizia que todo homem possui dois cavalos, um que lhe puxa para cima, lhe eleva em direção ao Divino, e o outro que caminha para baixo, buscando as paixões... Depende de nós qual cavalo será mais alimentado.

Precisamos parar de simplesmente fazer coisas, apenas descobrir suas métricas e seus mecanismos;
Precisamos voltar a fazer coisas com consciência, com Sabedoria, de forma que possamos aprender com elas e transpor esse conhecimento para o crescimento do homem enquanto ser humano.

É essencial o resgaste desses valores!

Em civilizações como Roma, Grécia, Egito, vemos grandes obras, grandes templos, estando inclusive muitos deles até hoje de pé. Mas se procuramos suas casas, provavelmente não as encontraremos...

Se cremos que Deus existe, faremos em nome Dele, faremos para o outro, serviremos a ele e o honraremos...
Pois este mistério supremo não quer que os homens simplesmente o idolatrem. Quer que sejamos seu reflexo, por meio de nossas ações.

Em tempos como os atuais, em que a presença de Deus parece cada vez mais distante em nosso dia a dia, o que encontramos? Grandes templos, generosidade, amor ao próximo?
Se procurarmos, encontraremos – em sua maioria – grandes casas, acúmulo de riquezas, e, antes de tudo, para nós. Para o próximo? Só o que sobra!

Parece que fomos vencidos pelos nossos instintos, pelos instintos de sobrevivência; e nessa batalha vale tudo!

O homem parece perder essa consciência do divino, parece não crer no mistério que está além dele próprio, e transforma a busca da sobrevivência em seu bem e objetivo maior.
E quem vence é o segundo cavalo de Platão, aquele que nos puxa para baixo, para longe de Deus, sendo alimentado pelas paixões e desejos.

Perdemos o homem na Terra!

Mas assim como o dia e a noite, o inverno e o verão, a vida é cíclica, e um novo ciclo há de surgir. Mas cabe ao ser humano fazê-lo renascer;

Primeiro dentro dele mesmo, praticando as virtudes, resgatando valores e propósitos de acordo com aquilo sabemos lá no fundo que é o Bem, que sabemos que é Deus!

terça-feira, 11 de junho de 2013

Mais Uma Vez, o Amor...


E lá se vai mais um dia dos namorados; como o comércio é temático e colore as nossas cidades, circulamos por alguns dias no meio de inúmeros cupidos, corações vermelhos, fotos de casais apaixonados...  e voltamos nossa atenção para o amor, embora não para entendê-lo, mas sim para desfrutar dele, como emoção súbita que quebra a monotonia e introduz um sabor diferente, mas ou menos  intenso, mais ou menos duradouro, na nossa vida.

Alguns filósofos, seres com mania de querer entender as coisas, ao invés de apenas saboreá-las, costumavam dizer que o amor é a busca daquilo que nos falta; com esse pensamento em mente, eu saí por aí olhando um pouco para o mundo e para mim mesma, e a catalogar quantas coisas nos faltam. Na vitrine da perfumaria, cheia de imagens de amor, eu vi muitas rosas tristes, morrendo precocemente, amontoadas num vaso, sem água fresca, sem ar.

terça-feira, 4 de junho de 2013

A Alma


Há um belo mito, deixado pelo filósofo grego Platão, sobre a origem das almas humanas e sua natureza.
Conta Platão, em seu diálogo Fedro, que no início de nosso mundo participamos de uma corrida grandiosa junto aos Deuses.
Cada alma humana consistia de uma carruagem, puxada por dois cavalos alados. Um dos cavalos possuía natureza divina e virtuosa; o outro, de natureza animal, índole rebelde e passional.
As carruagens se puseram em fileiras, lideradas pelos principais deuses do Olimpo, na corrida rumo ao Céu de Uranos, o Céu da Perfeição, dos Arquétipos Celestes.
Iniciou-se a corrida divina. O filósofo descreve esse cenário de forma fantástica para o nosso imaginário: os deuses perfilados, majestosos, em seus cavalos de longas asas luminosas, dirigindo-se ao alto, seguidos pelas almas humanas, em seus pequenos carros.
As longas fileiras descreviam espirais, rumo à abóbada celeste. As almas humanas encontraram

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Aprender a Viver


"DEVE-SE APRENDER A VIVER POR TODA A VIDA E, POR MAIS QUE TU TALVEZ TE ESPANTES, A VIDA TODA É UM APRENDER A MORRER." (Sêneca, sobre a brevidade da vida)

Essa máxima sempre me chamou a atenção. Dizer que para aprender a viver precisa saber morrer é algo muito estranho.

Mas o tempo foi passando e fui procurando nos acontecimentos da vida perceber e encontrar fatos que me fizessem entender ou pelo menos tocar o mínimo que seja dessa máxima.

Percebi que estava levando a palavra morte ao seu máximo, considerando que se referia Sêneca somente à morte física. Entendo hoje que não.

O filósofo fala das diversas mortes que passamos ao longo de nossas vidas, ou pelo menos deveríamos passar, pois alguns de nós pretendem de forma inútil “eternizar" alguns momentos.

Em quem de nós já morreu a infância? Em quem de nos já morreu a adolescência?

Ao final de cada dia que se encerra, morrem as oportunidades que tivemos nele de sermos generosos, honrados, corajosos, elementos dignos de um Ser Humano.

E ao final de cada ciclo de vida virá – aí sim – a nossa morte física, que da mesma forma nos encerra a oportunidade de termos sido símbolos, a oportunidade de termos nos aproximado mais do arquétipo divino, de termos construído a nós mesmos!

Então fica mais claro que, se aprendemos a morrer, aprendemos a viver.

Pois assim conscientes  dessas diversas mortes que virão, e virão com certeza, viveremos mais profundamente cada fase, viveremos com mais atenção e consciência cada momento, cada dia.

Não deixando nos passar uma oportunidade que seja de refletir o que há de divino em nossas ações!

quarta-feira, 15 de maio de 2013

A Causa do Sofrimento


Reflexão sobre como devemos remover a causa do sofrimento e não apenas a sua sensação.

"Não deixes que o ardente sol seque uma única lágrima de dor antes de tu próprio a teres seco no olho de quem sofre.

Porém, deixa de que cada escaldante lágrima humana caia no teu coração e aí permaneça, nem nunca a retires até que o sofrimento que a causou seja removido."


A Voz do Silêncio (Livro) - H. P. Blavatsky
Esse é um dos temas estudados no Curso de Filosofia Prática de Nova Acrópole. Conheça

terça-feira, 7 de maio de 2013

O Filósofo

 

"O filósofo é um artista que resolveu esculpir a si mesmo", com a consciência de que precisa avançar em direção ao Bem, que representa dentro si o seu modelo ideal, antes de a morte chegar.

E como não sabe quando chega a morte, avança incessantemente, com ritmo, constância e coragem, para que quando a morte chegue, o encontre sereno, certo de ter sido coerente consigo mesmo.

Podendo então olhar em seus olhos e dizer: "Vida, não me deve nada; Vida, estamos em Paz!"

quarta-feira, 20 de março de 2013

Hoje Eu Vi um Arco-Íris


Lá estava, parado no trânsito, perdido no horizonte. Entre um e outro lance do para­brisas, um colorido sorriso despontou em meio às nuvens. Há muito não via um arco­íris, e o deslumbre tomou conta. Apesar disso, fui retirado de meus devaneios por uma buzina. “Hora de voltar ao real”, era o que qualquer um pensaria. Ao contrário, ao olhar para o lado, uma pessoa apontava, extasiada, para o lindo milagre da Natureza.
Em meio à loucura do mundo, o quanto qualquer pessoa toma tempo para apreciar, simplesmente? Um belo arco­íris, um inspirador pôr do sol, os calmantes sons da Natureza. O mundo moderno simplesmente é muito rápido, muito mecânico, muito... morto. Somos zumbis em meio a uma realidade na qual acreditamos ter vida e liberdade, e não podemos ao menos olhar por uma janela sem ser exortado a voltar ao trabalho e produzir, produzir, produzir...

Este é o mundo que queremos para nós? Ou vibramos ao escutar uma bela música, ver os heróis em um filme, ouvir sobre os grandes homens que mudaram o mundo? Aceitaremos um mundo que nos engole a cada passo, como um eterno tsunami, ou lutaremos por um mundo novo e melhor que valora o que é realmente humano?

quarta-feira, 6 de março de 2013

Das coisas que fiz



Desculpem se me emocionar, mas é que vou falar com a Alma.
Aliás, esse é um controle que ainda tento desenvolver!

Vou falar com a Alma e com o coração!
E vou falar das coisas que fiz!

Das coisas que eu fiz eu não perguntei seu eu podia,
Das coisas que fiz - prestem bem atenção! - eu não me perguntei se era capaz.

Não perguntei, porque não acho que grandes homens da humanidade como: Marco Aurélio, Gandhi, Luther King, etc. tenham se perguntado se podiam!

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Nossas escolhas


            A cada instante em nossas vidas lidamos com situações que exigem escolhas. Algumas mais sérias, outras menos. Quando surgem aquelas em que há menos confiança em si mesmo e em que aparecem as dúvidas, saímos a perguntar para os mais próximos – estes que também vivem diariamente suas dúvidas-, qual a melhor decisão tomar. Acreditamos que quanto mais pessoas forem consultadas, melhor será o discernimento. Mas a prática demonstra que quanto mais opiniões aparecem,

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Makemake hoje me ensinou...

 
Todos nós temos, eventualmente (ou será “infelizmente” o advérbio mais apropriado?) momentos em que o sábio preceito filosófico de não se deixar afetar pelas circunstâncias vai ruidosamente por terra. Seja porque, por descuido, acumulamos erros que “baixam a guarda” da necessária segurança e confiança em nós mesmos, verdadeira “vigilância montada” que nos protege de muitos invasores desagradáveis, ou porque aquilo que chamamos de “circunstâncias” é um conjunto vivo, dinâmico e bem estrategista, que vive procurando

sábado, 1 de dezembro de 2012

Como melhor mudar?

       Na filosofia á maneira clássica aprendemos a diferença entre transformação e transmutação. Transformação é o que acontece no desenvolvimento de nossa vida. Nosso corpo está em constante transformação: as células epiteliais se renovando, cabelos e unhas crescendo, o corpo perdendo ou ganhando medidas, etc. Transformamos também nossa vida mudando alguns hábitos, nos transferindo de cidade, o nascimento dos filhos, a morte dos entes queridos, etc. Transformação é um processo natural da vida. Transmutação, entretanto, exige

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Eu gosto de viajar




              Eu gosto de viajar. Sempre que posso viajar eu entro de cabeça, me envolvo profundamente. Quando viajo, fico atento aos horários, aos documentos, à bagagem, à segurança, ao roteiro, ao dinheiro para o ônibus. Há uma série de elementos em jogo e a mente se ocupa em imaginá-los e em adiantar soluções. Durante esse processo, aparece o nosso lado atento, organizado, ágil, sagaz, alegre, enfim, mais capaz.
       Quando subo no ônibus ou no avião, tudo se resume à viagem. É como se os demais assuntos externos a ela se calassem para falar apenas

sábado, 1 de setembro de 2012

Abrir mão...



Assim nos expressamos quando queremos que alguém abra o bolso para comprar algo que desejamos, ou que desista de algum direito pendente na justiça, ou ainda quando cansamos de aconselhar alguém que pensamos estar agindo errado, etc.
Devemos considerar que todos nós temos conceitos limites, por várias razões possíveis e imagináveis, que vai desde o contato com os nossos pais como também com professores, amigos, televisão, leituras diversas...
Abrir mão desses conceitos limites não é tarefa fácil, pois

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Gosto não se discute?



É comum a noção de que o gosto é pessoal e que, assim como política, religião e futebol, é um assunto que não deve ser trazido à tona para não suscitar discussões infrutíferas e que põem em risco as amizades. Isso ocorre porque quando manifestamos gosto por algo, seja um prato, uma bebida, uma obra de arte, ou qualquer outro objeto de nosso juízo, é porque esse objeto nos agrada, nos dá prazer de algum modo. Assim, os juízos a respeito do gosto estão centrados no estado de espírito do sujeito e não nas qualidades do objeto, conforme esclarece o filósofo inglês Roger Scruton em seu livro “Beleza”. Sob esse aspecto, realmente não há que discutir, pois

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

E a moral, onde fica?


Conversava recentemente com um amigo e ele relatava sua insatisfação com um profissional que foi formado dentro de sua empresa, vindo do interior. Foram dados a ele treinamento, moradia, oportunidades e, o mais importante, a confiança. Depois de algum tempo, meu amigo descobriu que estava sendo roubado por ele.

Pensei então que estamos sempre envoltos por problemas desse tipo em todos os escalões da sociedade, no pobre e no rico, no interior e na capital... Escândalos de corrupção em todos os poderes, traição, roubos, etc..


domingo, 1 de julho de 2012

O suco de laranja de um filósofo



N. Sri Ram, o grande filósofo do século passado, possui um conceito sobre a memória que, às vezes, se torna um tanto difícil de explicar, tendo em vista nossos valores atuais. Um dia desses, ao preparar um suco de laranja, pensava sobre isso. Extrai-se o sumo de diversas laranjas, e a quantidade de cascas e bagaço é bem grande. Imaginei a seguinte situação: que o consumo deste suco fizesse bem à vista, e que, ao consumi-lo e ver melhor o mundo à minha volta, me sentisse grata àquelas cascas e bagaços, e quisesse levá-los comigo... Num dado momento, o fardo de arrastá-los seria tão grande que chegaria a neutralizar ou superar os benefícios da amplitude de visão trazido por este sumo...

Assim ocorre com a memória dos fatos: seu “sumo”, o aprendizado,

sexta-feira, 1 de junho de 2012

A mulher tem conquistado sua liberdade?





Nos últimos cem anos, alguns movimentos alavancaram a conquista de direitos para as mulheres na sociedade ocidental. As mulheres ganharam o direito de votar, de trabalhar nas mais diversas áreas profissionais e de se expressar afetivamente. Mas ainda agora, em nossa sociedade, impera o machismo. Mas não falo do machismo descrito pelos movimentos feministas de opressão da mulher pelo homem. Esse também se faz presente, mas não o considero mais sério do que outro tipo de machismo, que é o da mulher que abdica de sua feminilidade para conquistar espaços tradicionalmente masculinos.

A mulher e o homem são inegavelmente diferentes na forma como

terça-feira, 1 de maio de 2012

Quebrando a rotina



Todos nós, uma vez ou outra, nos encontramos acorrentados à rotina. Por mais que tentemos fazer o contrário, repetimos os mesmos atos, realizamos as mesmas tarefas, encontramos as mesmas pessoas. E assim, a vida, que uma vez nos pareceu tão rica em possibilidades, nos parece uma repetição de um número limitado de situações. A questão é: há a possibilidade de sair da rotina?

Primeiro, teríamos que encontrar alguém, no mundo, que não fosse carregado por ela. Alguém para quem

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Como fazer alquimia


Gostaria de aprender uma receita básica de Alquimia? pois aí vai: comece por misturar um finalzinho de tarde ensolarada de domingo com a Missa Brevis, de Palestrina. Feita a mistura, coloque-se, então, frente a uma janela, bem aberta, sem vidros ou cortinas, em absoluta paz e silêncio, e respeitoso vazio de pensamentos. Simplesmente esqueça de si por alguns momentos, entendendo bem que esquecer de si é esquecer também de todos os julgamentos prévios que habitualmente despejamos sobre as coisas. Apenas corpo e alma limpos e olhos e ouvidos bem abertos.