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sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Planos para o Ano Novo



Não é incomum, em inícios de ano, examinarmos o período anterior e listarmos as nossas “necessidades” para o próximo ano. Ao fazer isso, acabei por perceber que alguns dos meus projetos frustrados não eram reais necessidades, e sim simples desejos, quase que caprichos pessoais. Se tivessem sido realizados, talvez esta minha pequena meta tivesse se chocado contra a grande meta, a de todos os anos, a de sempre, que é crescer como ser humano e ajudar os demais a crescerem, da forma mais eficiente que me for possível.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

O que é voluntariado?



 
Hoje, 05 de dezembro, é o Dia Internacional do Voluntariado, instituído, pela ONU, em 1985. Todos sabem que o voluntariado tem sido abraçado por uma cada vez maior quantidade de seres humanos, e isso é uma esperança. Mas, como tudo que é humano pode se aperfeiçoar, acrescento algumas observações ao assunto.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Giordano Bruno, mártir da ignorância humana


"Não é fora de nós que devemos procurar a divindade, pois que ela está do nosso lado, ou melhor, em nosso foro interior, mais intimamente em nós do que estamos em nós mesmos." (Giordano Bruno, A ceia de cinzas).

Em 27 de janeiro, nasceu Mozart, o compositor; em 17 de fevereiro, morreu Giordano Bruno, o filósofo. Do primeiro, pouco se precisa falar: todos lembram do prodígio que, ao cinco anos de idade, compunha e dava concertos ao piano. Nem todos lembram tanto, porém, do segundo, filósofo condenado à fogueira por heresia e executado em 1600 por afirmar, entre outras coisas, a existência

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Eu acredito em príncipes e princesas, no Amor… e na Vida

Eu acredito em príncipes e princesas, no Amor… e na Vida
     Quando era pequena, amava aquela passagem do Peter Pan, onde a Sininho falava que, cada vez que alguém dizia não crer em fadas, uma fada morria. Batia palmas, energicamente, junto com Peter Pan, para que ela voltasse à vida, e vibrava quando ela alçava voo, espalhando pó de pirlimpimpim para todos os cantos.

terça-feira, 7 de junho de 2016

Como massinha de modelar...

Ninguém se esqueceu, penso, das massinhas de modelar com que brincávamos na nossa infância; alguns, como eu, se reduziam a fazer bolinhas coloridas, mas os mais habilidosos chegavam a pequenas esculturas muito graciosas; bons momentos foram passados ao lado deste brinquedo.
Também chega a ser bem óbvio que continuamos, em outras fases da vida, “modelando” outras “massinhas”, às vezes bem mais sutis, como pensamentos e sentimentos, nossos e alheios, até as substâncias mais concretas, como palavras e atos. Também poderíamos medir a nossa habilidade para lidar com estas substâncias pela galeria de “produtos” que vamos deixando para trás, dentro e fora dos outros e de nós. Isso constitui nossa história, nossa memória, a síntese do que deixamos registrado na vida.

quinta-feira, 2 de junho de 2016

A menina que vendia castanhas


Numa manhã nebulosa e fria, fazendo o meu trajeto matinal, de automóvel, lembrei subitamente de um livro de histórias que eu possuía, na minha infância... Dessas lembranças que afloram de repente, parece que para nos cobrar alguma coisa, e vão-se embora, sem maiores explicações. Era uma história de uma menina, um daqueles desenhos em que os olhos do personagem são desproporcionalmente grandes, redondos e vivos: ela vendia castanhas num local onde nevava. As pessoas passavam, caíam flocos de neve e ela oferecia, desde seu carrinho onde ardia um pequeno lampião, castanhas... Uma paisagem exótica para uma criança brasileira; um mundo onde tudo parecia distante, misterioso e belo. E eu sonhava e sonhava com um mundo onde tudo fosse assim:

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Estamos no outono, e se aproxima o inverno...


Esta manhã, ante o espelho, passei alguns minutos brincando com meus cabelos brancos; e brincar é o verbo correto a empregar aqui, pois parecia uma criança curiosa diante da descoberta de um brinquedo novo.
Desde os 18 anos de idade, por gosto pessoal, sempre tingi meus cabelos, e esse hábito retardou a “grande descoberta”. Tudo começou precisamente num dia em que, vendo se já era hora de renovar a pintura, examinei e percebi que vinham lá não apenas cabelos escuros, como sempre, mas alguns diferentes, absolutamente prateados. Fiquei tentada a desacelerar o ritmo do retoque da tintura para receber os visitantes, deixa-los crescer, pois queria vê-los e saborear a novidade.

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Reflexões sobre Jung – “Questão do Coração”



Em tempos em que nem sempre as opções oferecidas pelos cinemas parecem ou são realmente interessantes, uma dica para quem deseja selecionar bem o que assistir em casa. Produzido em 1986 nos Estados Unidos, "Questão do Coração" é um documentário sobre vida e obra de Carl Gustav Jung, que foi lançado Brasil apenas no dia 6 de dezembro de 2013, pela Versátil. Consta de uma entrevista com o próprio Jung, datada da década de 50, e com depoimentos de vários de seus amigos e alunos.
Dentro da densa quantidade de informações oferecidas, nem sempre fáceis de compreender, destaca-se a ideia do inconsciente,

terça-feira, 10 de maio de 2016

A Solidão e seu Papel

             

Faz parte do viver nos sentirmos, com certa frequência,  solitários.
No passado, antes do advento da eletrônica, uma pessoa não tinha outro remédio que ficar só nos momentos em que não pudesse ter companhia, e então, sem ninguém mais para conversar, só podia ter a si mesma como companheira: seus pensamentos e sentimentos, suas dúvidas e seus medos, suas certezas e confianças.
Foi ao perscrutar seu interior, buscar em seu íntimo as respostas que lhes faltavam, que os grandes homens da história nos legaram a mais rica herança que poderíamos deles ter. Deram-nos o saber contido em suas obras, as mais belas histórias da literatura universal. Deram-nos também a poesia, a música,  a ciência, a legislação, e tudo mais que constitui nossa cultura e  civilização.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

O suco de laranja de um filósofo



N. Sri Ram, um grande filósofo do século passado, possui um conceito sobre a memória que, às vezes, se torna um tanto difícil de explicar, tendo em vista nossos valores atuais. Um dia desses, ao preparar um suco de laranja, pensava sobre isso. 

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Tanta pressa...


Mais uma manhã, tarde e noite, indo e voltando, com carros que passam voando por mim. Um dia, minha filha me falou que as pessoas deveriam colocar o número do seu celular no vidro... “- Para quê, minha filha?”, perguntei, sem captar o tom levemente irônico na voz: “- Para ligarmos e sabermos se deu tempo, mãe! Deve ser muito urgente o que ele vai fazer!”

terça-feira, 1 de julho de 2014

Filosofia e seitas: uma reflexão útil


Uma das polêmicas mais acirradas que circulam hoje sobre o significado de palavras em geral gravita em torno da palavra “seita”.  Proveniente do latim sequire , "seguir", normalmente trata, em uso corrente, de ideologias divergentes da oficial e com tendência ao isolamento social; em extremo, podem se referir a grupos que cultivam excessiva devoção e obediência um líder, de quem são “seguidores”, com uso de técnicas de persuasão opressivas ou manipuladoras.

Como mesmo estes adjetivos são todos muito cheios de matizes, a se prolongar neste assunto, cairíamos num sem-fim de etimologias e conceitos discutíveis, mas não é este o nosso objetivo, senão perceber o que propõem, não as “filosofias”, pois é outro escorregadio conceito, uma vez que todo conjunto de ideias, homogêneo e coerente ou não, se intitula desta maneira, mas a Filosofia, tradicional e clássica, com a proposta que a trouxe à vida, e se isso se assemelha em alguma medida às chamadas “seitas’.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Amor e Mito


 Esses dias, encontrei, por acaso, o conhecido quadro “Independência ou Morte”, do pintor Pedro Américo, e, com essa mania que os filósofos têm de querer refletir sobre tudo, comecei a pensar sobre a cena. Todos sabem que havia um jogo de interesses por trás, que a cena já havia sido “encomendada” por D. João VI antes de partir, e que aquele príncipe não era lá o que se poderia chamar de um primor de moral. Mas, diante desta bela obra, todas estas coisas se desvalorizam, e nasce o mito: um príncipe, um dia, sacou de sua espada e declarou, em alto e bom tom, que os filhos desta terra (nós!) somos amantes da independência, ou seja, da autonomia, da capacidade de nos impormos sobre as circunstâncias adversas, e que só tememos a morte indigna. Se ele não era digno de dizê-lo, problema dele; nós somos dignos de vivê-lo, e o tornamos real, através de nossas lutas diárias, às margens de tantos “ipirangas”, e sua espada corajosa e desafiadora é símbolo de nossa disposição ante as dificuldades... e necessitamos deste símbolo.

                Tantas vezes, Platão fala da necessidade do mito; tantos povos o souberam e viveram, mas nós permanecemos indiferentes ante esta realidade, como crianças que

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Quem Sabe... O Amor


Um dia, já há algum tempo, eu realizava um aula ou conferência na qual abordava o tão polêmico quanto atraente assunto das almas gêmeas, e tratava da unidade possível entre dois seres humanos nos planos físico, psíquico e espiritual, quando, mais do que apenas atração física e afinidades psíquicas, eles compartilham sonhos e ideais.

Lembro-me de um jovem que literalmente se "retorcia", na plateia, visivelmente dividido entre um desejo de acreditar e um ceticismo vicioso e incômodo, ceticismo este que acabou por lançar contra mim de forma agressiva, talvez até por não suportar carregá-lo sozinho.

Após questionar o argumento por todos os ângulos que alcançou imaginar, sem sucesso, ele resolveu apelar para a artilharia pesada: a famosa falácia do “ataque à pessoa”, último recurso quando não se logra derrubar as ideias de alguém com as próprias ideias. Disparou contra mim a pergunta direta e pessoal:  "- Você tem um relacionamento assim?"

domingo, 15 de dezembro de 2013

O Mito do Rei Arthur - Resumo!


Canal de NOVA ACRÓPOLE BRASIL no Youtube


Por que os MITOS são importantes?

A linguagem mítica é muito profunda.
É importante saber como nascem os mitos, o que eles representam, como nasceram, a fim de entendermos o simbolismo do mito.

No caso concreto que iremos referir:

-    do ponto de vista filosófico, o importante é o significado do mito. Se existiu historicamente ou não o rei Arthur, é irrelevante.

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Quando Roma coloniza a região do sul da Inglaterra (A Bretanha), transforma-a em uma ilha organizada no meio de povos bárbaros (saxões, escoceses). Com a decadência, Roma deixa de ter condições de sustentar uma colônia tão distante e deixa a Bretanha à sua própria sorte. Os bretões, que são os celtas “romanizados”, ali permanecem cercados pelos bárbaros.

Mais tarde, os bretões aliam-se aos saxões, e estes, ao entrarem na Bretanha se admiraram da riqueza do local, pelo que logo quiseram dominar a região.

terça-feira, 23 de julho de 2013

A Amizade


“Amigo é coisa para se guardar debaixo de sete chaves, dentro do coração...”

Coisa boa é lembrar a voz cheia e melodiosa do Milton Nascimento cantando isso... E nós caprichamos na afinação, pois o verso é bonito e inspira. Mas lá vêm os filósofos com questionamentos complicados: o que é guardar alguém no coração? Esse músculo que trazemos no peito não guarda nada, nem o sangue: bombeia para todos os lados. Será o coraçãozinho vermelho do papel de bombom? Este significa o quê? Acho que uma emoção agradável, assim como a que tiramos do chocolate, só que vinda de uma pessoa.

Será que uma amizade é isso? Papo agradável, bom de bola, ouve boas músicas... Mas se não tenho o “amigo” à mão... Vou ao cinema, que me proporciona mais ou menos a mesma coisa: distração e fuga da solidão, ou seja, saciedade das minhas necessidades... É este o coração que o Milton recomenda guardar tão bem?

terça-feira, 11 de junho de 2013

Mais Uma Vez, o Amor...


E lá se vai mais um dia dos namorados; como o comércio é temático e colore as nossas cidades, circulamos por alguns dias no meio de inúmeros cupidos, corações vermelhos, fotos de casais apaixonados...  e voltamos nossa atenção para o amor, embora não para entendê-lo, mas sim para desfrutar dele, como emoção súbita que quebra a monotonia e introduz um sabor diferente, mas ou menos  intenso, mais ou menos duradouro, na nossa vida.

Alguns filósofos, seres com mania de querer entender as coisas, ao invés de apenas saboreá-las, costumavam dizer que o amor é a busca daquilo que nos falta; com esse pensamento em mente, eu saí por aí olhando um pouco para o mundo e para mim mesma, e a catalogar quantas coisas nos faltam. Na vitrine da perfumaria, cheia de imagens de amor, eu vi muitas rosas tristes, morrendo precocemente, amontoadas num vaso, sem água fresca, sem ar.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Makemake hoje me ensinou...

 
Todos nós temos, eventualmente (ou será “infelizmente” o advérbio mais apropriado?) momentos em que o sábio preceito filosófico de não se deixar afetar pelas circunstâncias vai ruidosamente por terra. Seja porque, por descuido, acumulamos erros que “baixam a guarda” da necessária segurança e confiança em nós mesmos, verdadeira “vigilância montada” que nos protege de muitos invasores desagradáveis, ou porque aquilo que chamamos de “circunstâncias” é um conjunto vivo, dinâmico e bem estrategista, que vive procurando

domingo, 1 de julho de 2012

O suco de laranja de um filósofo



N. Sri Ram, o grande filósofo do século passado, possui um conceito sobre a memória que, às vezes, se torna um tanto difícil de explicar, tendo em vista nossos valores atuais. Um dia desses, ao preparar um suco de laranja, pensava sobre isso. Extrai-se o sumo de diversas laranjas, e a quantidade de cascas e bagaço é bem grande. Imaginei a seguinte situação: que o consumo deste suco fizesse bem à vista, e que, ao consumi-lo e ver melhor o mundo à minha volta, me sentisse grata àquelas cascas e bagaços, e quisesse levá-los comigo... Num dado momento, o fardo de arrastá-los seria tão grande que chegaria a neutralizar ou superar os benefícios da amplitude de visão trazido por este sumo...

Assim ocorre com a memória dos fatos: seu “sumo”, o aprendizado,

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Como fazer alquimia


Gostaria de aprender uma receita básica de Alquimia? pois aí vai: comece por misturar um finalzinho de tarde ensolarada de domingo com a Missa Brevis, de Palestrina. Feita a mistura, coloque-se, então, frente a uma janela, bem aberta, sem vidros ou cortinas, em absoluta paz e silêncio, e respeitoso vazio de pensamentos. Simplesmente esqueça de si por alguns momentos, entendendo bem que esquecer de si é esquecer também de todos os julgamentos prévios que habitualmente despejamos sobre as coisas. Apenas corpo e alma limpos e olhos e ouvidos bem abertos.